Dentro de dias, volto mais uma vez, de malas e bagagens a percorrer mais uma mao cheia de kmts ate respirar o ar que deixei para trás.
São mais de 10 anos e sempre, sempre com saudade que lentamente se torna naquela ponta de medo que recuso admitir.
Jamais me sentirei Belga. Quantos mais anos passam mais certeza tenho que serei sempre Portuguesa, esteja onde estiver. Nao sei ter outra identidade nem me consigo adaptar a outra coisa que nao isto que me serviu de berço e me moldou em quem sou. Sei que muito mudou nos ultimos anos, e claro que esta jornada longe teve impacto no que me tornei. E mesmo apesar de a lingua ja nao ser um enorme entrave (que o foi durante muito tempo), de ter muito carinho por esta terra que me acolheu ao longo dos anos, há dias em que acho que deviam ser dadas 2 vidas a todas as pessoas, a que temos e a que sonhamos ter, só numa de ver o que dava.
Cada vez mais tenho medo de ir perdendo as pessoas ao longo do caminho, a idade vai avançando para todos e o tempo passa depressa, depressa demais. Daqui a nada os pais ja nao estao mais aqui e os filhos vao criando raizes nesta terra que é a deles e a que conhecem como sua. E nós, os de primeira geraçao, vivemos vidas no limbo da saudade. Do imaginar como seria se tivessemos ficado, sabendo como é porque um dia tivemos coragem de partir.
Que bom são aqueles 30 dias de tudo. Que coraçao cheio é chegar e abraçar até o ar. Mas que dor tão profunda é voltar depois, um abandono, uma angustia que nao ha palavras que descrevam... parece que se cruza a fronteira de alma rasgada.
Tudo na vida tem um preço e este é o preço que se paga: acordar por vezes com o coraçao pequeno e sem colo de mae.
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