quinta-feira, 18 de julho de 2019

A vida dos outros que desconhecemos.

Hoje de manha, abri o Instagram e logo no inicio da pagina apareceu o post de uma pessoa que sigo com algum interesse na app já há uns tempos.

Dizia que após 19 anos em comum com o marido, tinham já há alguns meses decidido separar-se.

Eu sei que isto nao é propriamente uma coisa do outro mundo, milhares de pessoas se juntam e se separam por esse mundo fora, todos os dias.

Mas se calhar por já seguir ha bastante tempo as venturas e desventuras desta familia nao pude deixar de me sentir triste por todos eles, especialmente pelos 5 filhos em comum que possuem.

E fez-me reflectir no quanto as redes sociais nos fazem criar uma imagem fictícia das pessoas.
Ali esta uma  familia que parece ter tudo controlado e sem que nada o faça prever boooomm.

Apesar da ilusao de proximidade, o facto é que nao sabemos nada da vida dos outros. Nao conhecemos os seus dramas, as lutas e as dificuldades.
E muitas vezes a felicidade que lá aparece é so um milesimo de segundo num dia de 24h cheio de muitas outras coisas.

Num contexto mais geral, se calhar quantos de nos nao olham as redes e acham que a pessoa Y ou X é que tem a vida toda nos eixos? Quantas vezes nao evitamos comparar com a nossa que tem dias que parece que vai descarrilar á força  toda? Quantas vezes nos sentimos mal com o que corre pior sem pensar que todos corremos um pouco entre as gotas da chuva para ir vivendo e que não ha vidas 100% perfeitas?

Coisas complicadas da vida que corre atras dos ecras mas que nos fazem esquecer que por vezes essa vida é fodida que só ela e nos poe a todos á prova.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Desta coisa de se viver a meio coração.

Dentro de dias, volto mais uma vez, de malas e bagagens a percorrer mais uma mao cheia de kmts ate respirar o ar que deixei para trás.
São mais de 10 anos e sempre, sempre com saudade que lentamente se torna naquela ponta de medo que recuso admitir.

Jamais me sentirei Belga. Quantos mais anos passam mais certeza tenho que serei sempre Portuguesa, esteja onde estiver. Nao sei ter outra identidade nem me consigo adaptar a outra coisa que nao isto que me serviu de berço e me moldou em quem sou. Sei que muito mudou nos ultimos anos, e claro que esta jornada longe teve impacto no que me tornei.  E mesmo apesar de a lingua ja nao ser um enorme entrave (que o foi durante muito tempo), de ter muito carinho por esta terra que me acolheu ao longo dos anos, há dias em que acho que deviam ser dadas 2 vidas a todas as pessoas, a que temos e a que sonhamos ter, só numa de ver o que dava.

Cada vez mais tenho medo de ir perdendo as pessoas ao longo do caminho, a idade vai avançando para todos e o tempo passa depressa, depressa demais. Daqui a nada os pais ja nao estao mais aqui e os filhos vao criando raizes nesta terra que é a deles e a que conhecem como sua. E nós, os de primeira geraçao, vivemos vidas no limbo da saudade. Do imaginar como seria se tivessemos ficado, sabendo como é porque um dia tivemos coragem de partir.

Que bom são aqueles 30 dias de tudo. Que coraçao cheio é chegar e abraçar até o ar. Mas que dor tão profunda é voltar depois, um abandono, uma angustia que nao ha palavras que descrevam... parece que se cruza a fronteira de alma rasgada.

Tudo na vida tem um preço e este é o preço que se paga: acordar por vezes com o coraçao pequeno e sem colo de mae.

Pelo exemplo

Trabalho ha uns 4 anos com uma pessoa que decidiu iniciar-se numa jornada de “less waste” e “plastic free”. Talvez por ja me interessar ha v...